às 01:48 -
Para aqueles que me conhecem bem, talvez o assunto inicial pareça estranho.
Hoje uma jovem pediu esmola na mesa onde estávamos sentadas, eu e minhas amigas. Mas esmola me parece um termo tão bruto e pejorativo! Imaginem uma jovem na rua pedindo esmola. Agora substituam “esmola” por “ajuda”, que pode servir para uma situação assim, e aí imagem mental dessa situação com certeza se suaviza. Eis que então, na nossa mesa, ergue-se a seguinte questão: dar ou não dar esmola?
Eu não sei se essa esmola, essa ajuda é mesmo tão prejudicial como as pessoas dizem. Como eu não costumo tratar de questões de cunho social, esse post é completamente subjuntivo, parcial, e limitado pela minha própria ignorância no assunto.
- Ah, mas dar esmola é incentivar os caras a continuar na rua – disse uma das gurias que estava comigo – aí ele vive de esmola e não trabalha.
Mas o que uma pessoa que nasce na rua, cresce na rua, vive na miséria sem qualquer informação, pode fazer para possivelmente mudar de vida? As classes mais baixas são praticamente estamentais; você nasce ali e você fica ali, e é muito, muito difícil de sair dali. E esse é um argumento típico e que não me agrada, por que eu não imagino como alguém que tivesse outras opções se humilharia pedindo esmola. É ignóbil e ignorante pensar que eles estão ali por que eles desejam estar. Por mim, tem que agradecer à seja lá qual for a entidade que você acredita por eles não estarem roubando e matando gente. Eles só querem dinheiro para comprar seu pãozinho, cheirar sua cola, e seguir existindo e sobrevivendo como ratos. Não uso “ratos” de forma pejorativa. As palavras não deveriam ser pejorativas. Deveriam ser apenas palavras. Ratos vivem de lixo e restos, e na imundice dos cantinhos escuros. E isso é fato; não é uma ofensa aos ratos… e nem aos mendigos.
Eu tracei um paralelo entre a presente situação, e uma situação mostrada na minissérie da BBC North & South: Os operários das fábricas de algodão resolvem fazer greve em função de melhores salários, ganhando uma mixaria da união dos trabalhadores. Essa mixaria não era suficiente para que o personagem Boucher alimentasse seus seis filhos e cuidasse da esposa doente, mas, arrastado pela União, ele foi obrigado a prosseguir com a paralisação. Enquanto isso, em uma parte mais nobre da cidade, o dono da fábrica de algodão desejava que a greve acabasse logo, assim poderia entregar as encomendas no prazo e pagar logo os trabalhadores. Quando mais a greve durasse, maior seria o seu prejuízo e mais fome passariam os trabalhadores, mas nenhum dos lados podia ceder. Não era uma opção. E em um jantar dado pelo dono da fábrica, uma certa moça é apontada por apoiar a greve. Por incentivar a miséria dos operários. Ela vinha levando cestas de alimento para a família de Boucher.
- Você faz mais mal do que bem a este homem com as suas cestas. – Disse o dono da fábrica. – Quando mais ajudar esses grevistas, mais prolongarão a greve.
- Mas certamente dar comida a um bebê que está morrendo não é apenas uma questão de lógica? – Respondeu a moça.
Mas é claro que simplesmente por que o meu paralelo tinha suas divergências com o momento, ele foi rejeitado sem sequer terem tido o trabalho de pensar naquela coisinha insignificante chamada “conceito” que eu estava tentando apresentar ali. O que me deixou desapontada além do que as palavras podem expressar.
A moça que veio nos pedir esmola não parecia drogada. Não parecia desesperada por um escapismo químico qualquer. Na verdade, ela era bem civilizada, e apenas queria alguma coisa para comer. Nesse caso não seria errado nem prejudicial dar uma ajuda a ela.
No mundo sempre haverá vagabundos folgados. Isso não quer dizer que todos tenham que ser julgados como tal. Quer dizer, a sociedade esqueceu de ver as pessoas como indivíduos, cismando em catalogá-las e colocá-las em prateleiras separadas, mas a vida não é assim. A vida é niilista, não se esqueçam disso! Tudo é relativo. Um coletivo é feito de indivíduos, e por mais que torne mais fácil o uso do cérebro, julgar as classes sociais como um módulo fechado não é certo. E nem ostentar esse juízo como se fosse correto.
Eu tenho meus preconceitos. Todos temos. Mas pessoas são pessoas, e idéias são idéias. E enquanto eu estava ali pensando sobre isso, esqueci que tinha um real no bolso que eu poderia ter dado, e com o qual, quem sabe, ela teria comprado um litro de leite.


Bato palmas p/ ti e para o texto, realmente mesmo tu não usou “sociologia” para o debate, tu usou principios, oq eu acho bem mais humano… parabéns, adorei o enfoque q tu deu… *agradecendo aos ceus dela ter ido para escola publica*
XD
bjus
O problema é a generalização. Existem, é claro, muitos que só querem dinheiro para comprarem drogas ou álcool (tinha dois exemplos agora que poderia escrever, mas vou tentar deixar o comentário mais enxuto), mas há também aqueles que só precisam de uma ajuda. É difícil sair de uma situação de extrema pobreza, e sob o peso do preconceito fica ainda mais complicado. Qualquer ajuda sempre é bem-vinda. O que é inaceitável é quando, em vez de tentar ir para um situação melhor através do esforço do trabalho, a pessoa sobrevive só de esmolas (ou ajudas, como tu preferir). Sou a favor de ajudar aqueles que precisam, mas que julguemos eles, pois nem sempre eles merecem a nossa ajuda.
Eu, particulamente, procuro ajudar a todos que me procuram. Sou um cara orgulhoso, e fico imaginando o que faria eu me submeter a pedir esmola por aí. Eu sei que algumas pessoas são fingidas, treinadas para nos comover; inventam histórias trágicas e usam crianças para conseguirem um trocado a mais. Mas, infelizmente, eu não tenho como saber quais são os que falam a verdade ou não. Por esse motivo, prefiro não dar dinheiro. Compro um pão, pago um café com leite, e quando posso, pergunto o que estão precisando em casa e compro o básico. Assim me asseguro de que não estou bancando o vício de ninguém, mas que estou, de alguma forma, colaborando para que tenham algo na barriga. Alguns reclamam, xingam, chamam de “mão de vaca” e me mandam enfiar a comida no cu haushaua; mas a maioria se mostra muito grata. Acho que a saída é essa: bom senso para julgar as situações, não as pessoas.
Obs: sua estreia [?] em questões de cunho social foi um sucesso ;)
Beijos.
Eu não acho que dar esmola seja necessariamente um incentivo aos miseráveis e eu também não acho que uma um miserável se sinta humilhada fazendo isso. “Pra começar” dar ESMOLA, dar grana pros caras, eu acho uma merda. Quando eu era bem pequeno, a mãe foi me buscar no colégio e a gente saiu de lá e ela foi numa loja de roupas que ficava do lado de uma padaria. Eu não tinha o que fazer e fiquei sentandão esperando um baita tempo ela experimentar roupa e tals. Uma hora, chega um guri meio mendigolike e asudo (muito!) e pediu dinheiro pra atendente da loja, pra ele comprar comida. A mulher disse que não tinha nada, mas a mãe disse que não dava dinheiro pra ele, mas se ele quisesse ela levava ele na padaria e comprava o que precisava, ele só tinha que esperar ali ela terminar. Na hora eu me senti tri feliz, porque foi umas das primeiras vezes que eu tinha visto minha mãe se oferecer pra ajudar diretamente alguém que precisava. E também era minha primeira grande experiência de solidariedade além-doar-roupas-velhas-no-inverno. Eu fico tri ansioso pra mãe terminar logo e a gente ir ali comprar a comida do cara. Um tempo depois a mãe termina de ver as roupas e a gente sai da loja, e o magrão não tava mais lá. Eu pedi pra mãe pra gente esperar o cara, e ela disse que se ele realmente precisasse ele teria esperado. Eu me senti completamente frustrado e deprimido por causa do guri e foi a primeira vez que tive aquele papo-clássico sobre drogas e etc, com minha mãe.
A partir daí eu adotei a filosofia do: meu velho, se tu quiseres eu te levo na padaria te pago um folhado e 10 cacetinhos, mas por favor, não me pede dinheiro.
Eu acho que se existe a possibilidade do cara pegar a MINHA grana, investir num “mercado” que EU sou contra e fazer ele crescer cada vez mais, eu devo fazer tudo o que eu puder pra que isso não aconteça. Esse mercado digamos que pode ser o “mercado da mendigagem”, das drogas e tudo mais. Eu posso te ajudar, mas eu não vou manter o teu vício repulsivo.
Segundamente eu não acho que seja humilhação para eles pedir esmola e se sujeitar a TUA boa vontade. Como tu falas, eles nasceram ali, foram criados ali e vão ficar ali (em 99,9% dos casos). Desde pequenos eles veem os pais deles fazerem isso, e esses mesmos que ensinaram eles a “ganhar” a vida dessa forma alternativa. Um mendigo não tem a cultura que tu tens ou eu, e também não pensa em orgulho ou honra. Talvez daí que tenha saído a expressão “humilde” pra indicar uma pessoa pobre. Eles não tem orgulho, e não podem ter, porque se tiver morre de fome.
E esse mesmo 1 real que tu não desses poderia ter sido usado para comprar uma lata de cola, uma garrafa de cachaça ou 5 cacetinhos. Tu não tens como saber. Mas entre esses 3, qual tu preferes que ela comprasse? Leva ela lá e compra tu então.
Este é um assunto que nos leva a uma interminável discussão. Eu sou contra ao ato de dar esmolas (com é claro, algumas excessões).
Acho que dar esmola estimula que aquela pessoa continue a pedir esmola. Claro que também não me nego a ajudar. Muitas vezes, já colaborei com pessoas que precisavam de um auxílio. Ainda assim, sou contra.
Mas deixemos nossas opiniões. Nós já discutimos sobre isso o sufiuciente na sorveteria. Motivo pelo qual me fez prolongar a demora em comentar aqui. =D
Beijo Jadelin!
Ahh. Como presente de aniversário-ultra-atrasado penso e te dar um layout? Queres?
;*
Sempre que eu escolho um tema que não me é comum, as minhas idéias ficam bagunçadas pacas ><” Relevem.